O presidente da Vale, Gustavo Pimenta, afirmou, em entrevista à revista Veja publicada nesta 6ª feira (28.fev.2025) que a tensão entre a mineradora e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pertence ao passado. Segundo o executivo, “existe uma enorme convergência entre a Vale e o Estado brasileiro”.
Pimenta afirmou que, depois de ter assumido a presidência da companhia, a Vale passou a ter “um diálogo mais próximo com o presidente e seus ministros”.
“Eu diria que o alinhamento de uma companhia do nosso porte com o Estado é fundamental no Brasil e em qualquer país do mundo. Isso é natural. O que sempre nos pauta nas conversas com o governo é apresentar o que é estrategicamente relevante para a empresa”, afirmou.
Na lista de pontos convergentes entre a Vale e o Estado, Pimenta citou os R$ 70 bilhões que serão investidos pela Vale em Carajás até 2030. O evento do anúncio, em 14 de fevereiro, contou com a presença de Lula e de vários ministros do governo.
Questionado sobre quais contrapartidas a Vale espera ter dessa boa relação com o governo federal, Pimenta mencionou as parcerias público-privadas de “muito sucesso”, como, por exemplo, a conservação da Floresta Nacional de Carajás.
“Mostramos que o Brasil pode liderar a transição energética, mas, para isso, precisamos de apoio institucional, de apoio em processos de licenciamento, de apoio na priorização de políticas públicas”, declarou, acrescentando que a mineração pode ajudar o desenvolvimento do país na geração de emprego e renda.
Sobre a perspectiva de arrefecimento da economia do Brasil para o ano, Pimenta disse que a demanda por minérios ofertados pela Vale continua estável. “Obviamente, gostaríamos que a taxa de juros estivesse mais baixa, mas para a empresa não é um tema tão relevante”, declarou.
Brumadinho e Mariana
O presidente da Vale também citou uma “transformação” na cultura da empresa depois das tragédias em Brumadinho e em Mariana, em Minas Gerais.
Segundo Pimenta, a empresa investiu US$ 5 bilhões de dólares em um programa que eliminou 57% das barragens a montante e se compromete a eliminar todas elas. “A companhia é totalmente diferente hoje. Temos agora os melhores indicadores de segurança da nossa história. Alguns são os melhores de toda a indústria”, disse.
Já em relação à ação movida contra a sócia da Vale na Samarco, a BHP, em Londres, o executivo afirmou que, para a Vale, essa é uma decisão local e o Brasil é a jurisdição correta onde deve ser realizado o processo.
“O acordo que firmamos no ano passado foi alcançado depois de longos debates. Chegamos a um acordo que é bastante completo e justo. Ele é mais expedito, no sentido de reparar os danos, de compensar as pessoas. Além disso, o caso foi homologado pelo Supremo Tribunal Federal”, afirmou.
“Tarifaço” nos EUA
Pimenta também comentou as recentes medidas do governo do presidente Donald Trump (Partido Republicano) de aplicar tarifas às importações chinesas e de ameaçar a imposição de taxas semelhantes a outros países.
Segundo sua avaliação, uma vez que os Estados Unidos são quase autossuficientes em minério de ferro, o 1º impacto para a companhia será limitado.
“É claro que um movimento generalizado de aumento das tarifas pode causar arrefecimento econômico e impactar a demanda de aço e minério. Os efeitos dependerão muito da magnitude e da evolução das discussões tarifárias entre a China e os Estados Unidos”, disse.
Mas mesmo em relação ao impacto na China, maior cliente da Vale, Pimenta mostrou-se otimista, uma vez que a imposição de tarifas produziria impactos também nos cidadãos norte-americanos.
“Acho que o pragmatismo vai imperar no fim. Assim como já ocorreu no passado, toda essa discussão vai gerar um movimento de acordos comerciais e a questão das tarifas se acomodará”, avaliou.
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