Governo diz defender produtor brasileiro e avalia ações contra Trump

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta 4ª feira (2.abr.2025) que está avaliando “todas as possibilidades de ação” depois da decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Republicano), de aplicar uma tarifa recíproca de 10% sobre os produtos brasileiros importados.

O Brasil afirma “assegurar a reciprocidade no comércio bilateral” e cita a possibilidade de entrar com um recurso na OMC (Organização Mundial do Comércio). Leia a íntegra do comunicado (PDF – 153 kB).

Em comunicado conjunto, o Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) e o Ministério das Relações Exteriores lamentaram a medida. Afirmam que a atitude de Trump “viola os compromissos dos EUA perante a Organização Mundial do Comércio e impactará todas as exportações brasileiras de bens para os EUA”. Declaram que defendem os “interesses dos produtores nacionais junto ao governo dos Estados Unidos”.

A nota inclui críticas às taxações que já haviam sido anunciadas pela Casa Branca contra produtos brasileiros, o aço e o alumínio, e diz que a balança comercial entre os 2 países é favorável aos norte-americanos há 15 anos. O governo menciona a aprovação do PL da reciprocidade, que está em análise no Congresso.

O Brasil diz que “se mantém aberto ao aprofundamento do diálogo estabelecido ao longo das últimas semanas com o governo norte-americano para reverter as medidas anunciadas”.

Em reservado, integrantes do governo avaliam que o percentual anunciado foi melhor do que o esperado, mas que a decisão de Trump ainda é uma agressão às relações comerciais entre os 2 países e, por isso, uma retaliação é considerada.

Uma ala do governo avalia que é necessário subir o tom da negociação. Defende que alguns produtos norte-americanos sejam taxados de forma recíproca imediatamente como forma de pressionar por uma redução das tarifas ou pela criação de quotas de importação.

Leia a íntegra da nota abaixo:

“O governo brasileiro lamenta a decisão tomada pelo governo norte-americano no dia de hoje, 2 de abril, de impor tarifas adicionais no valor de 10% a todas as exportações brasileiras para aquele país. A nova medida, como as demais tarifas já impostas aos setores de aço, alumínio e automóveis, viola os compromissos dos EUA perante a Organização Mundial do Comércio e impactará todas as exportações brasileiras de bens para os EUA.

“Segundo dados do governo norte-americano, o superávit comercial dos EUA com o Brasil em 2024 foi da ordem de US$ 7 bilhões, somente em bens. Somados bens e serviços, o superávit chegou a US$ 28,6 bilhões no ano passado. Trata-se do terceiro maior superávit comercial daquele país em todo o mundo.

“Uma vez que os EUA registram recorrentes e expressivos superávits comerciais em bens e serviços com o Brasil ao longo dos últimos 15 anos, totalizando US$ 410 bilhões, a imposição unilateral de tarifa linear adicional de 10% ao Brasil com a alegação da necessidade de se restabelecer o equilíbrio e a “reciprocidade comercial” não reflete a realidade.

“Em defesa dos trabalhadores e das empresas brasileiros, à luz do impacto efetivo das medidas sobre as exportações brasileiras e em linha com seu tradicional apoio ao sistema multilateral de comércio, o governo do Brasil buscará, em consulta com o setor privado, defender os interesses dos produtores nacionais junto ao governo dos Estados Unidos.

“Ao mesmo tempo em que se mantém aberto ao aprofundamento do diálogo estabelecido ao longo das últimas semanas com o governo norte-americano para reverter as medidas anunciadas e contrarrestar seus efeitos nocivos o quanto antes, o governo brasileiro avalia todas as possibilidades de ação para assegurar a reciprocidade no comércio bilateral, inclusive recurso à Organização Mundial do Comércio, em defesa dos legítimos interesses nacionais.

“Nesse sentido, o governo brasileiro destaca a aprovação pelo Senado Federal do Projeto de Lei da Reciprocidade Econômica, já em apreciação pela Câmara dos Deputados.”

ALCKMIN

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, limitou-se a dizer na noite desta 4ª feira (2.abr) que o governo elaborou uma nota. Ele não quis comentar a nova taxação ao ser questionado por jornalistas na saída do ministério.

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