O governo federal espera que a balança comercial do Brasil termine o ano com superavit de US$ 70,2 bilhões em 2025. Seria uma queda de 5,4% em relação aos US$ 74,2 bilhões registrados no ano anterior.
Os dados foram divulgados nesta 6ª feira (4.abr.2025) pela Secretaria de Comércio Exterior do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços). Eis a íntegra da apresentação (PDF – 2 MB).
A expectativa é que o resultado seja formado por:
- US$ 353,1 bilhões de exportações (+4,8% anual);
- US$ 282,9 bilhões de importações (+7,6% anual).
A balança comercial é o saldo entre exportações e importações de bens de um país. Ou seja, o governo espera que o Brasil venda mais produtos do que compre durante o ano.
Essa é a 1ª estimativa calculada pelo governo para o resultado da balança comercial no ano. Os resultados ainda não incluem de forma farta as mudanças no comércio exterior causadas pelas tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano).
Diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Mdic, Herlon Brandão afirma que os efeitos das taxas norte-americanas devem ser incorporados nas projeções em julho.
“Em julho, vamos ter incorporado mais desse ano e mais dos efeitos da política tarifária […] Talvez em julho, a gente pudesse ter algum efeito da política comercial dos Estados Unidos nos dados”, declarou Brandão em entrevista a jornalistas.
A tarifa imposta aos produtos brasileiros foi de 10%. O valor é mínimo e menor que o percentual de 60 países. Economistas haviam dito que o resultado poderia trazer oportunidades para fortalecer as relações com os EUA pela menor competição com os territórios de taxas maiores.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve sancionar ainda nesta 6ª feira (4.abr) o projeto de lei que autoriza o país a adotar a chamada reciprocidade tarifária e ambiental no comércio com outros países. Abriria espaço para uma retaliação.
AS TARIFAS DE TRUMP
Trump defende a taxação de outros países desde a sua campanha eleitoral, em 2024. Segundo ele, os Estados Unidos concedem benefícios às outras nações quando se trata de comércio exterior. O objetivo também é impulsionar a indústria local ao restringir a competitividade.
Medidas para carros importados foram anunciadas em 26 de março. Serão colocadas taxas de 25% para todas as nações que vendem os veículos aos EUA.
As tributações adicionais para aço e alumínio começaram em 12 de março. O valor também é de 25%.
O impacto para o fornecedor brasileiro pode ser significativo, porque os EUA são o maior comprador de aço do Brasil e o 2º maior de alumínio.
Um estudo do Bradesco indica que a taxação pode reduzir as exportações brasileiras em até US$ 700 milhões. O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) aposta em uma perda maior, de US$ 1,5 bilhão.
A política comercial de Donald Trump atingiu o ápice na 4ª feira (2.abr), com o início da cobrança das tarifas recíprocas para os produtos ainda não taxados. O Brasil terá uma alíquota de 10%.
O presidente apelidou a dia do anúncio de “Liberation Day” (“Dia da Libertação”, em português). Segundo ele, marca o momento em que os EUA se libertam do que ele chamou de comércio estrangeiro “injusto”.